"Só uso a palavra para compor meus silêncios"

Manoel de Barros


Eu só tenho usado o silêncio para compor os meus gritos...

Este é pura e simplesmente um espaço na mídia para divulgar meus poemas, contos, crônicas e artigos de opinião, bem como dos meus mestres e mestras da Filosofia e ARTES de um modo geral. Amo ESCREVER, acima de todas as coisas, então faço desse espaço o meu "grito de alerta", sem maiores pretensões...mas sempre com muitas provocações, pois fazem-se necessárias para que não sigamos mansos a trilha da manada direto para o matadouro... Apesar de todas as decepções, eu AINDA creio e amo o ser humano, então vamos lutar todos juntos em UNICIDADE, AMOR E FRATERNIDADE.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

EDUARDO MARINHO: MAIS UM PRESENTE QUE RECEBI DA AMIGA KAREN

A Karen é uma amiga do orkut que tem me mandado textos e vídeos muito interessantes. Sei que é apaixonada por biodança, então, deve ser daí a sua fonte de inspiração e sensibilidade. Como ela mesma se define: "sou como esse cara, por isso sou considerada louca! Eu ando contra a correnteza em busca de novos fluxos que a água pode percorrer... sou louca, mas sou feliz!"

Somos, Karen! E é como te disse: o que você chama loucura, eu chamo essência e verdade...
Entrem no link do título e assistam a um vídeo com esse artista extraordinário que trocou o atelier pelas ruas e descobriu a si mesmo....

Ele também tem um blog muito bom que está na minha listagem ao lado - OBSERVAR e ABSORVER.

Um super beijo, sócia!!!!


Lou

sábado, 24 de abril de 2010

PRECISAM-SE DE LOUCOS


"De loucos uns pelos outros! Que em seus surtos de loucura espalhem alegria; com habilidades suficientes para agirem como treinadores de um mundo melhor. Precisam-se de loucos de paixão, não só pelo trabalho, mas principalmente por gente, que em cada ser humano veja o reflexo de si mesmo. Precisam-se de loucos que ouçam mais seus corações. Precisam-se de loucos poliglotas que não falem inglês, espanhol, francês ou italiano, mas que falem a língua universal do amor; do amor que transforma, modifica e melhora, de amor que transcende toda a hierarquia, amor que todo ser humano deve despertar e desenvolver dentro de si e pôr a serviço da vida própria e alheia; amor cheio de energia, amor do diálogo e da compreensão. Precisam-se de loucos que saibam que a felicidade consiste em realizar as grandes verdades e não somente em ouví-las."


Autor desconhecido


Quando eu digo que a minha turma está na Somaiê... Diante da recusa do Rui em me aceitar lá por pura intransigência, venho tentando estabelecer contato com os seus participantes via orkut; e é impressionante como são coincidentes o número de comunidades em comum que temos. Ou seja, o nosso olhar no Mundo está direcionado para o mesmo foco. Tanto isso é verdade que recebi esse texto de uma nova amiga que acabei de conhecer que faz parte da Somaiê. E simplesmente adorei o texto e pedi a ela para postá-lo aqui, que infelizmente não sabe quem é o autor. Mas é um texto que me tocou bastante e quis compartilhá-lo com todos.


Valeu, Karen!!!! Brigadão!!! Foi um prazer tê-la conhecido!!! Vc já está me acrescentando um pouco mais... como deve ser em toda amizade que se preze... Um beijo!!!
Lou

E QUEM NÃO SABE OLHAR COM AMOR TEM SER?

Leio sempre em um livro do Manoel de Barros, uns versos do Pe. Antônio Vieira que diz:
"o maior apetite do homem é
desejar ser. Se os olhos veem
com amor o que não é, tem ser."

E exatamente hoje recordo esses versos porque pedi desculpas a alguém por um mal-entendido tolo, idiota, que de tão trivial, nem merece ser explicitado, pois trata-se simplesmente de mais um erro inerente à condição humana; todo ser humano erra, isso é fato. Perfeição é um privilégio apenas para os mortos e os santos. Eu, felizmente, ainda não faço parte da primeira categoria e da segunda, aí que é sem chance mesmo, nem se eu quisesse, e ainda mais que conto com o agravante de não querer, então, estou sempre a cometer meus errinhos básicos e/ou avançados como todo mundo (os normais) que está aqui neste planeta para aprender.

Acredito, de forma veemente, que o ser humano nasce com a missão de se aprimorar e de evoluir em suas capacidades, sobretudo emocionais e espirituais, apesar de não ser muito próxima a nenhuma religião; mas sinto Deus em mim e em todos e em tudo a minha volta e, talvez, por causa disso, não necessito tanto de religião, pois não preciso me RELIGAR a Deus, pois já somos UNO.

E em minha modesta concepção de DEUS, não se religa algo a ela mesma.

Ontem, entretanto, fiquei especialmente entristecida , quando estendi a mão a um amigo (sim, um amigo, pois considero, em princípio, todos um amigo - vejo a aldeia global, na verdade, como uma aldeia fraterna global -) e esse amigo virou-me as costas depois de dizer-me rispidamente:
" toque sua vida que toco a minha
mas longe um do outro...
adeus NOVAMENTE." Fez questão de ser bastante enfático no advérbio, perceberam?

Isso me surpreendeu e chocou-me tanto devido ao excesso de agressividade e intemperança, mas principalmente pelo seu coração estar tão fechado, armado, em combate.

Estranho como o ser humano anda muito arredio, desconfiado, matreiro, suspeitando, quase que o tempo todo, que por trás de qualquer atitude deve haver um ardil, uma mexida de peça para se avançar mais algumas casas até que se chegue ao fim da partida e, para se evitar a vitória do pretenso adversário, então, o melhor a se fazer é "cortar o mal pela raiz", isto é, virar as costas e dizer adeus de forma solene e enfática.

E o pior é que nem posso culpar essa pessoa por agir assim, uma vez que as relações em sociedade, cada vez mais, as sinto como um "chocoalhar de dados" mesmo, uma mudança de peça num tabuleiro quadriculado ou cartas sobre uma toalha verde, fora as que estão guardadas nas mangas das camisas e nos bolsos dos coletes.

É... estamos nos afastando cada dia um pouco mais da verdade dos sentimentos em nossas relações sociais. Que triste e deplorável constatação!

Por trás de tudo parece sempre haver um interesse escuso, meticulosamente calculado e engendrado; nada mais mostra-se absolutamente espontâneo. Até os sorrisos ingenuamente exuberantes, com mais frequencia do que desejaria perceber, parecem que acabaram de ser carimbados ou estilisticamente bem talhados em lábios prontos a proferir palavras já previamente pensadas e articuladas, prevendo-se a próxima jogada como em um jogo de Xadrez ou um simples jogo de Damas.

Não sei porque esses versos do Vieira me vieram à memória. Aí, fiquei a refletir...

Alguém que não se predispõe a amar, perdoar, aceitar as limitações de outro ser humano tem ser?

Alguém que não sabe olhar com amor é um ser?

Pelos versos do Vieira, tudo que é olhado com amor adquire a potencialidade de ser ; mas e aquele que nem sequer sabe olhar com amor?!!!

Será que Vieira também escreveu sobre esse tipo de criatura? Pessoas que não sabem SER porque não sabem olhar com amor?...

Lou

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O DIA EM QUE FUI EXPULSA DA SOMAIÊ

Resolvi contar essa história porque ela é , no mínimo, absurdamente hilária e macabramente divertida.

Quando enviei um email para uma ex-colega de faculdade, contando que havia sido excluída da rede SOMAIÊ - Ning (uma dissidência da Somaterapia, criada por Rui Takeguma, um dos discípulos mais próximos e queridos do velho bigode - o pensador lendário e mestre ROBERTO FREIRE-), essa minha ex-colega simplesmente caiu na gargalhada e me respondeu me gozando aos píncaros (e com toda a razão) como foi que eu, uma defensora explícita das liberdades individuais, da Anarquia enquanto doutrina e da Somaterapia que é uma antipsicoterapia absolutamente contrária a toda forma de repressão e cerceamento de liberdade, como que eu havia conseguido essa "façanha", segundo suas próprias palavras "de ser expulsa de um lugar que prega uma filosofia libertária?" Logo eu, a Lu véia de guerra, que já "bati boca" literalmente, barraco dos bravos mesmo, com professores reacionários e pessoas retrógradas e intolerantes com as liberdades individuais?!!

Mas antes de continuar a contar como consegui essa "façanha", preciso salientar e deixar bastante claro minha admiração e profundo respeito pelo trabalho desenvolvido pelo somaterapeuta, capoeirista e ayahuasqueiro Rui Takeguma, que este ano completa 20 (vinte) anos de estudo, trabalho e pesquisa nesta instigante área do conhecimento que é a Somaterapia.

Tive a felicidade de ver o Rui pela primeira vez mais ou menos em 1994 em uma palestra aqui em BH do grande mestre Roberto Freire e o Rui o acompanhava e depois da maravilhosa explanação de ideias do Roberto, o Rui e mais um grupo de capoeiristas que praticavam também a somaterapia, realizaram uma belíssima e encantadora apresentação de capoeira angola. Foi sem dúvida, para mim, uma noite sublime. Tanto por ter assistido àquela extraordinária palestra do mestre Roberto que foi ovacionado pela plateia de um teatro lotado por no mínimo uns 10 minutos de aplausos ininterruptos - foi como se a plateia tivesse entrado em um transe coletivo; algo de estupendo a ser presenciado e ainda mais participando disso- e por ter assistido pela primeira vez a uma apresentação ao vivo de capoeiristas tão bons. Portanto, foi um momento realmente especial que, sem sombra de dúvidas, guardo em minha memória emotiva com bastante carinho e afeto.

Pois bem, passaram-se anos e anos sem mais ver ou rever aquele capoeirista maravilhoso com aquela calça branca só amarrada por uma única faixa que no mínimo 90% da plateia feminina que lotava aquele teatro torcia para que desamarrasse, os outros 10% ou já não se interessava mais pela coisa ou apresentavam outras tendências de desejo o qual também respeito profundamente; cada um que coma a fruta que mais te deixe saciado(a) e te faça sentir mais bem servido(a). Quem sou eu para me intrometer nos gostos pessoais e preferências de cada indivíduo, cruz credo, bangalô três vezes!!!

Só sei que um dia, mais ou menos início de janeiro deste ano, finalmente (aleluia!!!) comprei o meu PC ( de segunda mão, é verdade, era do meu irmão caçula e aquele safado ao invés de me dar de presente o computador, cobrou uma exorbitância por ele que tive de pagar em 5 prestações; só consegui terminar de pagá-lo este mês). Valha-me Deus, menos uma dívida!

Então, assim que adquiri (olha que chique!) o meu tão bem-aventurado computador, uma das primeiras coisas que fiz foi procurar "a minha turma" pelo orkut da vida ou "yakult", como queiram. E a minha turma é a turma da SOMAIÊ e dos discípulos do grande Roberto, o bigode.

E mesmo depois de passado tanto tempo não havia me esquecido do nome 'daquele capoeirista'. Sabia que se chamava Rui, pois o mestre Roberto várias meses mencionou o nome dele durante a palestra. Acredito eu que por já estar pressentindo e preparando o seu sucessor que pudesse continuar a sua obra extraordinária que é a Somaterapia. E o mestre reconhece qual o discípulo mais capacitado e que reúne as qualidades mais importantes para essa missão que é a de levar uma obra tão revolucionária e tão contra o status quo, tão contrária à corrente como é a somaterapia.

E o Rui, sem dúvida, reúne todas essas qualidades. Pelo pouco tempo que conversamos pessoalmente e pelos textos que leio dele, percebo a firmeza com que defende e articula suas ideias, a inteligência, sagacidade, estilo, segurança de caráter e , sobretudo , o conhecimento que acumulou ao longo desses últimos vinte anos como somaterapeuta.

E por esse mundo virtual de orkut, acabamos nos esbarrando e ele como abriu um grupo novo de VIVÊNCIA aqui em BH, sob a responsabilidade do Camilo e do Alex, que encontra-se aberto até junho para novos participantes; depois o grupo fecha-se e trabalha junto até completar os 18 meses de vivência somaterápica, pois é assim que a somaterapia trabalha: é uma antipsicoterapia com prazo determinado que busca libertar os indivíduos das "couraças do caráter", como apregoava Reich e depois o Roberto Freire aprimorou e evoluiu a técnica e o método. E o somaterapeuta Rui Takeguma a partir de seus próprios estudos e experiências na área buscou um aprimoramento e evolução ainda maior da técnica, daí a dissidência e o afastamento da Somaterapia brancaleone original, o que o levou a criar a SOMAIÊ (Te & So) e mais tarde a desenvolver as Pesquisas e Experiências Subjetivas com a utilização da Ayahuasca.

Entendem por que a SOMAIÊ é a minha turma? Sinto esse grupo de somaterapia, como um surfista sente o Hawaí ou um escritor sente uma biblioteca quando está perdido nos cafundós de uma cidade vazia. Ali é o meu lugar no Mundo. Mas, por imaturidade, intransigência e efervescência de hormônios acabaram por gerar um mal-entendido, uma desavença, uma raiva mútua entre nós, mas que de minha parte não restou a menor mágoa ou ressentimento; inclusive este post é mais uma tentativa de estabelecer definitivamente A PAZ entre a gente, pois somos do mesmo lado, nadamos contra a mesma corrente, esteja certo disso, então não faz o menor sentido continuarmos nesse clima de guerra, sendo que defendemos os mesmos ideais, as mesmas ideias, os mesmos valores de liberdade e unicidade.

Então, foi por isso, gente, um desentendimento absolutamente banal, o grande responsável por eu, uma libertária e defensora do tesão e dos bons e rebeldes costumes da "natureza selvagem" do ser humano, acabei sendo expulsa do meu "pedaço de chão" neste Mundo. Lá, na Somaiê, é onde estão os meus amigos, os meus colegas, os meus irmãos, os que pensam e defendem os mesmos valores que eu, os que acreditam no que eu acredito, os que amam o que eu amo, os que confiam na integração e na unicidade do Universo e de todos os seres que fazem parte dele; enfim, os iguais a mim, a minha gaia-tribo.

Aqui fora imperam valores como muito dinheiro no banco, casa em condomínio fechado, carro importado e saúde pra dar e vender. Eu não acredito nessa baboseira toda - família, Estado, Igreja e Propriedade Privada.

Acredito no Deus da Unicidade, na integração de todos os seres, na liberdade absoluta e irrestrita (utopia?!!!) , autogestão e no comprometimento de cada ser com o BEM e a VERDADE sempre.

Desculpe, Rui, por estar voltando mais uma vez a essa história, mas não posso deixar você continuar pensando que eu quero desmoralizá-lo ou macular a sua reputação como somaterapeuta. De forma alguma isso é verdade. Reconheço em você o grande profissional que você é, principalmente devido a essa vasta experiência, trabalhando nessa Ciência que é a Somaterapia. E, apesar dessas pequenas desavenças entre nós, saiba que eu o vejo como um mestre da somaterapia e só não estou lá praticando as Vivências junto com a minha turma porque fui, como sempre, impulsiva e agi de forma afoita e desaforada (essas leoas são um caso sério mesmo). Só quem nasce leoa com ascendente em sagitário sabe a dor e a delícia dessa confluência astral; é simplesmente fogo por todos os poros da pele e da alma.

E, pra finalizar, peço desculpas publicamente caso tenha o ofendido de alguma forma em qualquer post que tenha escrito ou nos emails que tenha lhe enviado, pois sou um pouco destrambelhada mesmo, infelizmente. Entretanto, jamais colocaria em xeque a sua capacidade e conhecimento técnico como somaterapeuta.

Mas deixa eu voltar pra Somaiê, por favor... prometo que vou ficar bem quietinha... vou me comportar dessa vez, eu juro!!!

Ainda bem que ele não está vendo os dedinhos cruzados atrás das costas...

Beijão, Rui! Te adoro!!!! Fique sempre com Deus!!!! Esteja perto ou longe de mim, estará sempre no meu coração, pois te admiro demais e também porque você é um gato muito do gostoso, fala sério!!!!


Lou

quinta-feira, 22 de abril de 2010

POR QUE ESCREVO?!!!

Não escrevo para empurrar o tempo.
Escrevo para que o tempo me empurre no abismo das palavras.
Morrer pode ser insigne ou insignificante;
depende do defunto
apesar do fedor ser o mesmo.

A caixa é que muda a condição do fedor
e do substantivo que o carrega:
caixa-prego, féretro, rabecão
mausoléu que abrigam
nobres sarcófagos
ou gavetões no muro de indigentes...

Os mais estilizados preferem a pira funerária.

Eu, de minha parte,
prefiro Jim Morrison
viril e sensual
naquela calça de couro
que só nele ficava bela
bem colada ao corpo
cantando apenas para mim:
"light my fire".

-baby, light my fire, light my fire... oh yeah...!!!

Lou

quarta-feira, 21 de abril de 2010

QUANTO MENOS PENSO, MAIS EU SOU...


Quanto menos a poesia passa pelo cérebro, mais poesia ela é.
Assim, como o amor e todos os outros sentimentos.
Quanto menos pensados, mais sentidos
e, por isso,
mais verdadeiros e belos...

Lou

ilogic@mente

Recebi semana passada da Jacintha Editores e do próprio autor, o que me deixou muito honrada, um exemplar do livro de poemas ilogic@mente do poeta maravilhoso Newman Ribeiro Simões. Fiquei simplesmente extasiada com a forma com que ele brinca com as palavras, de maneira tão suave e serena, sem alarde, gritos, ou melodramas. Um poeta absolutamente delicioso e que nos delicia com suas letras tão saborosas e delicadas, como a polpa de uma amora... Amei o livro e recomendo.

Se não encontrarem nas livrarias, entrem no site ou blog da jacintha Editores e encomendem logo o de vocês. Vale muito a pena mesmo.

O livro que li, pra variar, ficou todo marcado, pois quando gosto muito de um verso ou frase, tenho a péssima mania de dobrar a pontinha da página. E, esse, em especial, ficou com várias páginas com as pontinhas dobradas.

De certa forma, é assim que reconheço de longe na minha estante, os livros de que mais gosto: os que estão com mais pontinhas das folhas dobradas.

Mas vou tentar escolher entre tantas páginas marcadas, um pedacinho de um poema só para terem uma ideia da gostosura de que tô falando:


"O boi,

ancorado na sua

paciência bovina,

interroga-se sobre a dificuldade

que a pedra deve ter

para ruminar a luz que engole.

De pedra

medram silêncios

de milênios;

uma sinfonia do nada.


No deserto da ampulheta

não há oásis

para matar a sede

do tempo."


E, por aí vai... simplesmente mágico!!!! Parabéns, Newman!!!

No link do título vocês entram no blog da editora em que há a divulgação de uma entrevista com o autor.

Beijos!

sexta-feira, 16 de abril de 2010

QUASE SEMPRE O RISCO TRANSBORDA DE AMOR

Mesmo quando me sinto frágil, cansada, debilitada
o risco transborda de amor
ainda que eu queira odiar
não consigo...
deve ser defeito de fábrica
ou confluência astral, sei lá.

Dá vontade de gritar, eu grito.
Dá vontade de xingar, eu xingo.
Dá vontade de proferir um magnânimo palavrão, eu profiro.
Dá vontade de pedir amor, carinho, atenção feito um mendigo
na Central do Brasil ou de qualquer outro lugar do Brasil, eu peço.
Eu imploro, ajoelho, estendo a mão, a boca e o terço
e me ofereço
levo bofetadas, pedradas e cusparadas, foda-se, eu aguento.

Nada me desviará deste meu caminho
que demorei tanto a assumí-lo
seja por vaidade, piedade ou falta do que fazer.
Mas eu quero fazer. E vou fazer.

Em meu baú de dejetos e pobrezas, não cabem certezas
apenas um louco porvir azul de esperanças
e um canteiro imenso
de Coras, Cecílias, Adélias, Manoéis, Drummond's, Thiagos
e tantos outros menestréis...

que farão de Lou não apenas mais um nome nesse jardim
mas também símbolo de redenção
a minha redenção.

Lou

LÁ VEM O SOL


A BÊNÇÃO, NINA SIMONE!!!!


SOL, SEJA BEM-VINDO SEMPRE!!!! Entrem no link e sejam muito felizes...

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O RISCO QUE PODE(RIA) VIR A SER


EU SOU O RISCO
QUE NÃO ARRISCA
PRESO ESTÁ À LINHA
RETA DA PEDRA LISA
A PONTA FERE
O CORAÇÃO GELADO
SEU QUE SALTA EM MINHA GARGANTA
OFEREÇO-LHE A BOCA QUE PEDE
O QUE NUNCA ACONTECEU.
TALVEZ TENHA AMADO APENAS UMA FOTOGRAFIA
E AQUELES CABELOS COBRINDO-LHE O ROSTO
QUE EU BEIJEI DE VERDADE
MESMO QUE PRA VOCÊ NUNCA TENHA SIDO.

MAS SAIBA, EU TE AMEI COM TODA VERACIDADE
AINDA QUE DENTRO DE MINHAS CERCANIAS.

SE NÃO COMPREENDEU O MEU AMOR
PACIÊNCIA...

PARA MIM SEMPRE FOI VERDADE
MESMO QUE DENTRO DE UM SONHO
DE ALGUM FILME ANTIGO
QUE NUNCA CHEGOU A SER FILMADO...

...AINDA.

Lou

CONFORTAVELMENTE ENTORPECIDO


Entrem no link do título e vejam cenas antológicas do filme: PINK FLOYD

FÊNIX

quarta-feira, 14 de abril de 2010

A VIDA BATE


Não se trata do poema e sim do homem
e sua vida
- a mentida, a ferida, a consentida
vida já ganha e já perdida e ganha
outra vez.
Não se trata do poema e sim da fome
de vida,
o sôfrego pulsar entre constelações
e embrulhos, entre engulhos.
Alguns viajam, vão
a Nova York, a Santiago
do Chile. Outros ficam
mesmo na Rua da Alfândega, detrás
de balcões e de guichês.
Todos te buscam, facho
de vida, escuro e claro,
que é mais que a água na grama
que o banho no mar, que o beijo
na boca, mais
que a paixão na cama.
Todos te buscam e só alguns te acham. Alguns
te acham e te perdem.
Outros te acham e não te reconhecem
e há os que se perdem por te achar,
ó desatino
ó verdade, ó fome
de vida!
O amor é difícil
mas pode luzir em qualquer ponto da cidade.
E estamos na cidade
sob as nuvens e entre as águas azuis.
A cidade. Vista do alto
ela é fabril e imaginária, se entrega inteira
como se estivesse pronta.
Vista do alto,
com seus bairros e ruas e avenidas, a cidade
é o refúgio do homem, pertence a todos e a ninguém.
Mas vista
de perto,
revela o seu túrbido presente, sua
carnadura de pânico: as
pessoas que vão e vêm
que entram e saem, que passam
sem rir, sem falar, entre apitos e gases. Ah, o escuro
sangue urbano
movido a juros.
São pessoas que passam sem falar
e estão cheias de vozes
e ruínas . És Antônio?
És Francisco? És Mariana?
Onde escondeste o verde
clarão dos dias? Onde
escondeste a vida
que em teu olhar se apaga mal se acende?
E passamos
carregados de flores sufocadas.
Mas, dentro, no coração,
eu sei,
a vida bate. Subterraneamente,
a vida bate.

Em Caracas, no Harlem, em Nova Delhi,
sob as penas da lei,
em teu pulso,
a vida bate.
E é essa clandestina esperança
misturada ao sal do mar
que me sustenta
esta tarde
debruçado à janela de meu quarto em Ipanema
na América Latina.


Ferreira Gullar