"Só uso a palavra para compor meus silêncios"

Manoel de Barros


Eu só tenho usado o silêncio para compor os meus gritos...


Este é pura e simplesmente um espaço na mídia para divulgar meus poemas, contos, crônicas e artigos de opinião, bem como dos meus mestres e mestras da Filosofia e ARTES de um modo geral. Amo ESCREVER, acima de todas as coisas, então faço desse espaço o meu "grito de alerta", sem maiores pretensões...mas sempre com muitas provocações, pois fazem-se necessárias para que não sigamos mansos a trilha da manada direto para o matadouro... Apesar de todas as decepções, eu AINDA creio e amo o ser humano, então vamos lutar todos juntos em UNICIDADE, AMOR E FRATERNIDADE.

domingo, 11 de julho de 2010

A MENINA DAS TRANCINHAS


Este poema foi inspirado por uma menina de no máximo três anos que passou por mim, à hora do almoço, de um desses dias qualquer, em uma rua próxima ao meu trabalho, na região central de Belo Horizonte. O poema escorreu de mim imediatamente ao vislumbrar suas encantadoras trancinhas e seu jeitinho de andar com uma das mãos segurando a cintura...


Menininha,

troca uma trancinha por um verso?


- É claro que não, poetinha louca!
Minha trancinha é de verdade
guardada pela inocência
protegida pela esperança,
enquanto seu verso é de mentira
carrega muito mais passado que futuro
até o nunca que jamais aconteceu.

Ele vive na realidade do sonho

naquilo que quase ninguém quer mais
imaginar, nem saber.

Eu não imagino Nada pois eu vivo Tudo.

Meu passado de tão pequeno
é mais leve que uma pluma.
E futuro na minha idade
também não pesa
pois nem sequer me pertence.

Não possuir concede liberdade
de Ser, Estar e Existir.

Você, poetinha, está condenada
por seus versos
a viver entre vários Mundos.

Por isso, não se encontra em nenhum deles.

Eu, ao contrário,
só tenho a infância como Mundo
Encontro, então, abrigo
ternura, aconchego.

Eu posso tudo!

Só preciso brincar de acreditar
No que você não consegue mais...

É isso que dá querer Saber Tudo!

Aprende, poetinha, com essa menina que hoje te usa:

A gente só deve saber o suficiente
que não nos deixe perder a Fé.


Foto: Minha filha Isadora com 3 anos

segunda-feira, 28 de junho de 2010

ESTOU NA GERMINA REVISTA LITERÁRIA DE JUNHO/2010


Foi com imensa alegria que recebi hoje cedo a notícia de que alguns de meus poemas foram publicados na Revista Literária GERMINA (inclusive o link para a acessarem encontra-se na barra lateral à direita).

Para acessarem a página na GERMINA em que estão os meus versos tão líquidos, basta clicarem no link do título.

Sinto como se hoje fosse o primeiro dia do resto da minha Vida...

Aos poucos estou conseguindo divulgar o meu trabalho, contornar os rochedos, feito um rio sinuoso e selvagem que nasce aqui em minhas Montanhas e depois escorre, se espalha, se infiltra e permanece... Esse, sim, é o grande sonho do poeta.

Como diluiu DRUMMOND ( sem nenhuma pretensão de minha parte de qualquer tipo de comparação a ele, óbvio):



ETERNO

E como ficou chato ser moderno.
Agora serei eterno.

Eterno! Eterno!
O Padre Eterno,
a vida eterna,
o fogo eterno.

(Le silence éternel de ces espaces infinis m'effraie.)

— O que é eterno, Yayá Lindinha?
— Ingrato! é o amor que te tenho.

Eternalidade eternite eternaltivamente
eternuávamos
eternissíssimo
A cada instante se criam novas categorias do eterno.

Eterna é a flor que se fana
se soube florir
é o menino recém-nascido
antes que lhe dêem nome
e lhe comuniquem o sentimento do efêmero
é o gesto de enlaçar e beijar
na visita do amor às almas
eterno é tudo aquilo que vive uma fração de segundo
mas com tamanha intensidade que se petrifica e nenhuma força o resgata

é minha mãe em mim que a estou pensando
de tanto que a perdi de não pensá-la
é o que se pensa em nós se estamos loucos
é tudo que passou, porque passou
é tudo que não passa, pois não houve
eternas as palavras, eternos os pensamentos; e passageiras as obras.

Eterno, mas até quando? é esse marulho em nós de um mar profundo.

Naufragamos sem praia; e na solidão dos botos afundamos.

É tentação a vertigem; e também a pirueta dos ébrios.
Eternos! Eternos, miseravelmente.
O relógio no pulso é nosso confidente.

Mas eu não quero ser senão eterno.
Que os séculos apodreçam e não reste mais do que uma essência
ou nem isso.
E que eu desapareça mas fique este chão varrido onde pousou uma sombra

e que não fique o chão nem fique a sombra
mas que a precisão urgente de ser eterno bóie como uma esponja no caos
e entre oceanos de nada
gere um ritmo.


À BÊNÇÃO, GRANDE MESTRE DRUMMOND! DAI-ME SORTE E FÉ!!!

Especial agradecimento ao jornalista e escritor José Aloise Bahia, um dos editores da GERMINA REVISTA LITERÁRIA DIGITAL.

Muito obrigada!!!


Imagem: Kamil Vojnar

SALVE RAUL E O NOVO AEON!!!

HOJE É UM DIA MUITO ESPECIAL PARA OS FÃS E FIÉIS SEGUIDORES DO MESTRE RAUL SEIXAS que completaria, neste 28 de junho, 65 anos se estivesse vivo. Esse extraordinário artista deixou uma OBRA inigualável e profética. Foi um homem, artista, cantor, poeta, filósofo, transgressor, crítico, sarcástico, enfim, um homem singular com uma visão muito AMPLA do que é SER HUMANO em um Mundo tão caótico e desumano; em que todos NÓS estamos sempre em estado de compressão. A sociedade do status quo sempre nos mutilando, castrando, comprimindo, querendo NOS VENDER ALGO OU ALGUÉM E MUITAS VEZES NINGUÉM QUE ELES QUEREM NOS FAZER CRER QUE MERECEM NOSSA ATENÇÃO E APREÇO. Aí ficam alguns meses sob os holofotes, e depois desaparecem, na penumbra, da mesma forma como entraram: "à francesa". O que definitivamente não é o caso do nosso ETERNO MALUCO BELEZA que sempre foi muito mais do que apenas isso que a Mídia nos apresentava dele, pois sua tônica primava pela contestação aos COSTUMES e VALORES ARCAICOS gerados por uma sociedade igualmente conservadora e reacionária.

SALVE RAUL E O NOVO AEON!!!



Composição: Raul Seixas - Cláudio Roberto - Marcelo Motta


O sol da noite agora está nascendo
Alguma coisa está acontecendo
Não dá no rádio nem está
Nas bancas de jornais
Em cada dia ou qualquer lugar
Um larga a fábrica, outro sai do lar
E até as mulheres, ditas escravas,
Já não querem servir mais
Ao som da flauta
Da mãe serpente
No para-inferno
De Adão na gente
Dança o bebê

Uma dança bem diferente
O vento voa e varre as velhas ruas
Capim silvestre racha as pedras nuas
Encobre asfaltos que guardavam
Hitórias terríveis
Já não há mais culpado
nem inocente
Cada pessoa ou coisa é diferente
Já que é assim, baseado em que
Você pune quem não é você?

Ao som da flauta
Da mãe serpente
No para-inferno
De Adão na gente

Dança o bebê
Uma dança bem diferente
Querer o meu
Não é roubar o seu
Pois o que eu quero
É só função de eu
Sociedade alternativa
Sociedade novo aeon
É um sapato em cada pé
É direito de ser ateu
Ou de ter fé
Ter prato entupido de comida
Que você mais gosta
É ser carregado, ou carregar
Gente nas costas
Direito de ter riso e de prazer
E até direito de deixar
Jesus Sofrer

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Andreas Kisser - Em Busca Do Ouro

Um presente do meu amigo maravilhoso PATRIC - Japoneis conhece-te a ti mesmo.

BEIJO!!!!

Cliquem no título e entrem em seu ANARKILOUCO blog que começou há pouco tempo, mas já tá detonando a BABILÔNIA... porque esse JAPA é simplesmente muito ESPECIAL...

quarta-feira, 2 de junho de 2010

O RISCO VAZIO


O risco precisa estar vazio
para ser preenchido
pela página branca
ainda que maculada
que os olhos humanos
não conseguem ver
a extensão de suas fissuras.
Por isso, a página
parece branca
e vago(O)risco
mas não está:
transborda de fúria.



Lou Albergaria
Post para o FÁBRICA DE LETRAS. Cliquem no link do título e leiam mais textos e poemas com o tema proposto para o mês de Junho.
Quadro acima: GUERNICA - Pablo Picasso

ESTAVA VAZIO...O CORAÇÃO


MEU MUNDO ESTÁ ALÉM

MUITO ALÉM

DO ALÉM-MAR

QUE QUASE NINGUÉM TEM:

ESSA CAPACIDADE DE AMAR

ME DAR, ME ENTREGAR...


ME TRANSMUTAR EM SEREIA


GULOSA ANTROPOFÁGICA

CANTO DE NEBULOSA FADA

PARA ATRAIR À MORTE

SERES DE CARNE OSSO SÊMEN

VISCOSO QUE NÃO ME PREENCHE

APENAS TRANSBORDA OU VAZA


TORNO-ME VAZIA NOVAMENTE.


NÃO SOMENTE DE SÊMEN E MEL SE NUTREM UMA ROSA!


É PRECISO BEM MAIS QUE SUA SANIDADE ACEITE.

OU SUA INCAPACIDADE DE AMAR DÊ JEITO.


QUERO SÊMEN AZUL, ROSA , VIOLETA:


UM ARCO-ÍRIS DE SENTIMENTOS

QUE ME AMPAREM , ABRIGUEM, DELICIEM


ME ALIMENTEM...


A FOME DE SEMPRE POSSA SER SACIADA

NÃO NECESSITE MAIS MATAR DE TANTA MISÉRIA

A SÔFREGA E DELEITOSA SEMENTE


QUE, AGORA, FINALMENTE, APRENDEU COMO SE GOZA

SEM DEIXAREM VAZIOS CORAÇÃO E SENTIMENTO.


SINTO-ME, HOJE, RADIANTE


VITORIOSA


COMO A MUSA QUE INSPIROU

A BELA CANÇÃO DE IVAN LINS...


APENAS O GÔZO COM SENTIMENTO PREENCHEM ALMA E CORAÇÃO.


NECESSITO QUE LOGO APÓS O ORGASMO

MEU HOMEM DESCANSE DENTRO DE MIM...


ASSIM APRENDI COM ANAIS NIN!


SÓ, DESSA FORMA, O VAZIO SE ESVAI...

FEITO UMA NEBLINA ESPESSA E TRÁGICA


QUE BEM PODE LEVAR TODA UMA EMBARCAÇÃO À MORTE

OU, PIOR, DEIXÁ-LA FICAR À DERIVA ETERNAMENTE...



Lou Albergaria



ESSE POEMA FOI ESPECIALMENTE ESCRITO PARA O DESAFIO DE JUNHO DO BLOG FÁBRICA DE LETRAS. É só clicarem no link do título para acessarem outros poemas e textos muito instigantes sobre o tema ESTAVA VAZIO...